quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

São gêmeos!

Doze de Julho de dois mil e dezesseis, manhã ensolarada e eu a caminho do que seria a primeira ultra.
E como se já não bastasse o ainda receio sobre a incerteza de uma gestação saudável, fui inventar de ler informações na internet sobre essa fase. Que merda! A vulnerabilidade atrelada ao número imenso de baboseiras que existem na web sobre cada detalhe deste período me levaram às lágrimas novamente e quase neurose completa. Eu fiquei impressionada com os casos de gravidez ectópica e anembrionária, cismei com esse último e fiquei horas pensando em como seria se neste primeiro exame de imagem fosse notificada sobre a inexistência de um embrião. Sofri! Sofri! Sofri!

- Thaís Ancê.. Ancelmí... Anc... THAÍS DE ABREU.

Era a minha vez.
Bruno super tranquilo ao meu lado; eu trêmula. A médica absurdamente simpática e atenciosa preferiu esperar alguns minutinhos para que eu pudesse me acalmar; não adiantou. Desligou o ar condicionado; melhorou, era frio, mas eu não conseguia falar.

Exame iniciado! Silêncio... seguido de um quase inaudível "Opa" da boca da médica.
Ela diz: - É que... (risos) tem uma surpresa aqui.
Bruno interrompe aos risos também, nesta altura o papai médico já tinha enxergado tudo: - São dois!

Neste momento eu fiquei zonza, uma lágrima tímida caía enquanto eu tentava assimilar o que estava acontecendo ali. Minutos antes eu era apenas uma mulher de pouca fé e muito medo, com a ideia fixa de um saco gestacional sem embrião. No momento em que eu escutei que eram dois sacos gestacionais com um embrião cada ali em pleno desenvolvimento e corações audíveis, um filme passou pela minha cabeça sobre tudo o que havia acontecido comigo nos últimos anos e um trecho da bíblia me ocorreu como um sopro:

"Foi em vão que padeci, foi em vão que gastei minhas forças. Todavia, meu direito estava nas mãos do Senhor, e no meu Deus estava depositada a minha recompensa. (...)"
Eu lembro de sair da sala radiante, como se estivesse pisando em nuvens. Anunciamos para toda a família, celebramos, ficamos muito felizes naquele dia. Todo o medo que existia se desfez e somente uma certeza se fez: Deus não se esquece dos seus.


São gêmeos!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A descoberta

Positivo!
Vinte e três de Junho de dois mil e dezesseis, manhã nublada e uma grande questão pairando no ar: ciclo menstrual atrasado em 11 dias. Coisa que nunca me aconteceu em sei lá quantos anos de ciclo ativo. Naquele momento eu sabia que das duas coisas uma era certa: Eu estava grávida ou com algum problema de saúde.

Em segundos o resultado do teste acusou o que, no fundo, o meu coração já gritava aos meus ouvidos. A primeira coisa que eu fiz foi anunciar para o papai no whatsApp. A segunda coisa foi chorar até não existir mais lágrimas, de medo.

Eu senti medo não da responsabilidade que é enorme, tampouco da mudança brusca que sofreria a minha vida dali em diante. Isso nem passou pela minha cabeça naquela hora. Eu senti medo MESMO era de não estar saudável para gerar a nova vida que já crescia dentro de mim e acabar num aborto espontâneo que é muito comum nas primeiras gestações.
No mesmo dia eu fiz o exame de sangue que exterminou qualquer indício de dúvidas; a quantidade de hormônio específico apresentada permitia também interpretar que eu provavelmente estaria nos primeiros dias da concepção, muito recente, o que só somou a minha preocupação.

Eu contei semana a semana e comemorei/agradeci por cada uma delas; pela vida que estava sendo permitida acontecer através de mim. Isso em todo tempo me emocionou muito desde o momento que descobri, acima de qualquer outro sentimento. Nunca me achei tanto. Para mim (isto é, na minha concepção, no meu ponto de vista, na minha opinião...) não há nada mais empoderador do que isso.